Pela primeira vez na história, o Brasil foi campeão do mundial de atletismo paralímpico. O país conquistou 15 ouros, 20 pratas e 9 bronzes nos jogos de Nova Déli, Índia, realizados entre 27 de setembro e 5 de outubro. Para se ter uma ideia do tamanho do feito, essa foi apenas a segunda vez que a China não ganhou a competição.
Mas como esse resultado inédito foi possível? A resposta é: investimento. O país aplica recursos pesados no esporte paralímpico. Por exemplo, todos os 50 atletas da delegação brasileira em Nova Déli recebem atualmente o Bolsa Atleta. Cada uma das medalhas conquistadas possui lastro em incentivos do Governo Federal.
O Bolsa Atleta foi criado no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2004. Já são mais de 20 anos do programa. De lá para cá, a iniciativa já beneficiou mais de 37 mil atletas, com 105 mil bolsas distribuídas. Os valores variam entre R$ 410 e R$ 16 mil, a depender da idade, categoria, experiência e grau de excelência do atleta, paralímpico ou não.
Contudo, para Mirella Prosdocimo, conselheira do CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro), a Bolsa Atleta não explica totalmente o sucesso da delegação. O fator principal é mesmo a excelência. O CPB está muito voltado para a formação de atletas e desenvolvimento das modalidades paralímpicas.
Mirella comenta que o centro de treinamento oficial do Comitê Paralímpico, localizado em São Paulo (SP), foi uma das heranças dos Jogos do Rio de 2016. O espaço com mais de 100 mil metros quadrados é responsável por desenvolver 17 modalidades, tendo abrigado quase 1.500 eventos esportivos paralímpicos entre os Jogos do Rio e o começo de 2023.
No total, quase 90 mil atletas passaram pelas instalações, que custaram R$ 264,2 milhões, investidos pelo Governo Federal, por meio do Ministério dos Esportes, em parceria com o Governo do Estado de São Paulo.
“A vitória no mundial da Índia é uma conquista gigantesca. É o seguimento de todo um trabalho que vem sendo feito dentro do comitê paralímpico, de levar suas equipes em jogos pelo país todo, para descobrir talentos que estão escondidos. Às vezes a pessoa nem sabe que pode competir em alguma modalidade, então o CPB faz esse trabalho de caça-talentos de maneira muito ativa”, comenta.
Mirella lembrou ainda que o país está se preparando para as paralimpíadas de Los Angeles, em 2028. Nesse sentido, o Governo Federal renovou seu apoio com um contrato de R$ 160 milhões em investimentos, via Caixa Econômica e Ministério do Esporte.
O novo contrato, assinado em maio, garante suporte financeiro e estrutural para mais de 120 atletas e 18 modalidades paralímpicas, impulsionando o Brasil para os próximos jogos paralímpicos.
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