A OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou, na última sexta-feira, 05 de maio de 2023, o fim da emergência internacional causada pela Covid-19, estado que perdurava desde fim de janeiro de 2020. Entretanto, a organização recomendou que os países permaneçam com as medidas de precaução contra o vírus a exemplo da aplicação de vacinas e, em momento algum, decretou o fim da pandemia. Segundo dados oficiais, 7 milhões de pessoas morreram em todo mundo, média de uma a cada três minutos, contudo, a estimativa da OMS é de mais de 20 milhões de vítimas. No Brasil, até agora, os números apontam para 700 mil mortes.
Diante desta triste marca, é preciso lembrar sempre como atuou o governo brasileiro na pandemia e registrar os atos de desumanidade praticados pelo então presidente Jair Messias Bolsonaro, cuja conduta está sendo analisada pelo Tribunal Penal Internacional de Haia. Abaixo, compilamos, em ordem cronológica, diversos fatos e discursos de Bolsonaro. As fontes são: Poder 360; CNN Brasil; Poder 360/DW, G1
Retrospectiva com frases de Bolsonaro sobre a pandemia:
2020
- 1º caso no Brasil – 26 fevereiro de 2020, homem de 61 anos em São Paulo
- 9 de março de 2020 – “Está superdimensionado o poder destruidor desse vírus. Talvez esteja sendo potencializado até por questões econômicas”, disse o presidente durante viagem aos Estados Unidos.
- 12 março 2020 – 1º morte, mulher de 57 anos em São Paulo.
- 20 de março de 2020 – “Gripezinha” – 11 mortes. Presidente afirmou que não seria uma “gripezinha” que o derrubaria depois de ter sido esfaqueado em 2018. Também usou o termo em pronunciamento no dia 24 de março.
- 26 de março de 2020 – “Brasileiro pula em esgoto e não acontece nada” – 77 mortes registradas no país. Bolsonaro disse que o brasileiro precisa ser “estudado” porque é capaz de pular “no esgoto” sem que nada aconteça com ele. Deu a declaração ao ser indagado se o Brasil não chegaria à situação dos Estados Unidos, que à época somava 82 mil casos da doença.
- Abril de 2020 – Manaus usa vala comum para enterrar seus mortos e frigorífico para aguardar a vez.
- 20 de abril de 2020 – “Eu não sou coveiro” – 2.584 mortes. O chefe do Executivo se negou a responder pergunta de jornalista sobre quantidade mortos por covid-19 no Brasil: “Eu não sou coveiro”, afirmou.
- 28 de abril de 2020 – “E daí, lamento. Quer que eu faça o quê?” – 5.050 mortes. Presidente sobre o recorde de mortes por Covid à época: “e daí, lamento. Quer que eu faça o quê? Sou Messias, mas não faço milagre”, disse.
- 19 de maio de 2020 – “Cloroquina” X “Tubaína” – 17.971 mortes. Bolsonaro fez 1 trocadilho, durante entrevista ao jornalista e blogueiro Magno Martins, ao aconselhar que pessoas identificadas com a direita usem a cloroquina, enquanto os de esquerda devem “tomar tubaína”.
- 2 de junho de 2020 – “A gente lamenta todos os mortos, mas é o destino de todo mundo” – 31.199 mortes. Bolsonaro disse a frase após uma apoiadora pedir uma palavra de conforto para as famílias em luto.
- 7 de julho de 2020 – “É como uma chuva, vai atingir você” – 66.741 mortes. Bolsonaro comparou o coronavírus à chuva ao dizer que uma grande parte da população seria infectada. Deu a declaração durante entrevista que revelou ter testado positivo para covid-19.
- 10 de novembro de 2020 – “País de maricas” – 162.829 mortes. O presidente Jair Bolsonaro disse que o Brasil tem que deixar de ser um país de “maricas” – termo pejorativo para se referir a homossexuais. À época, o presidente afirmou que a pandemia de coronavírus era superdimensionada. “Geração hoje em dia é Nutella”, completou.
- 17 de dezembro de 2020 – “Se tomar vacina e virar jacaré não tenho nada a ver com isso” – 184.827 mortes. Na ocasião, o presidente voltou a afirmar que é contrário à vacinação obrigatória contra covid-19. Se referindo à vacina da Pfizer, disse que o contrato da farmacêutica é claro na parte em que a empresa não se responsabiliza por possíveis efeitos colaterais causados pelo imunizante.
2021
- 5 de janeiro de 2021 – “O Brasil está quebrado. Eu não consigo fazer nada” – 197.777 mortes. Depois de voltar do recesso em Guarujá (SP), Bolsonaro afirmou que o Brasil está “quebrado” e que “não consegue fazer nada”. “Eu queria mexer na tabela do Imposto de Renda, teve esse vírus potencializado pela mídia que nós temos, pela mídia sem caráter que nós temos”, completou.
- 14 de janeiro de 2021 – Crise de oxigênio em Manaus vem a público, mas já era do conhecimento dos governos federal e estadual e da empresa responsável pelo fornecimento ao Estado dias antes. Antes da pandemia, o consumo diário de oxigênio medicinal no Amazonas era de cerca de 14.000 metros cúbicos, plenamente atendido pela única fabricante do gás no Estado, a White Martins, cuja planta, em condições normais, é capaz de produzir 25.000 metros cúbicos por dia. A rápida alta de casos e internações por covid-19 pressionou a demanda por oxigênio no Estado, que em janeiro chegou a 76.500 mil metros cúbicos por dia, 51.500 metros cúbicos a mais do que a planta da White Martins era capaz de produzir.
- 22 de janeiro de 2021 – “Não está comprovada cientificamente”, disse Bolsonaro sobre a vacina Coronavac – 215.243 mortes. O presidente Jair Bolsonaro afirmou: “não há nada comprovado cientificamente sobre essa vacina aí”, fazendo referência a Coronavac. O imunizante tem eficácia global de 50,4%, segundo o Instituto Butantan, responsável pela fabricação da vacina no Brasil.
- 11 fevereiro de 2021 – “O cara que entra na pilha da vacina é um idiota” – 236.201 mortes. A declaração foi realizada durante transmissão nos perfis das redes sociais de Bolsonaro. “Quando eu falei remédio lá atrás, levei pancada. Nego bateu em mim até não querer mais. Entrou na pilha da vacina”, disse. E completou: “O cara que entra na pilha da vacina, só a vacina, é um idiota útil. Nós devemos ter várias opções”.
- 4 de março de 2021 – “Vai comprar vacina. Só se for na casa da sua mãe” – 260.970 mortes. Em conversa com apoiadores em Uberlândia, o presidente criticou a compra de vacinas contra a covid-19 adquiridas pelo próprio governo federal. Na ocasião, disse que havia editado medidas provisórias para destinar R$ 20 bilhões para compra de vacinas.
- 4 de março de 2021 – “Chega de frescura e mimi” – 260.970 mortes. Durante evento em São Simão (GO), presidente se posicionou contra as medidas de combate a covid. “Temos que enfrentar os nossos problemas. Chega de frescura e de mimi. Vão ficar chorando até quando?”, afirmou.
- 14 de maio de 2021 – “Se falar cloroquina é crime, falar em maconha é legal” – 432.628 mortes. Em conversa com apoiadores, Bolsonaro criticou o projeto de lei 399/2015, ao dizer que falar de cloroquina no Brasil era crime, mas maconha “é legal”. O projeto tinha como objetivo aumentar o acesso a medicamentos à base de Cannabis.
- 17 de maio de 2021 – “Tem alguns idiotas que até hoje ficam em casa” – 436.537 mortes. A declaração ocorreu em conversa com apoiadores ao se referir a uma manifestação organizada por ruralistas em 15 de maio de 2021. “O agro realmente não parou. Têm uns idiotas aí, o ‘fique em casa’. Têm alguns idiotas que até hoje ficam em casa. Se o campo tivesse ficado em casa, esse cara tinha morrido de fome, esse idiota tinha morrido de fome”.
- 9 junho de 2021 – “Nunca vi ninguém morrer por tomar hidroxicloroquina” – 479.515 mortes. O chefe do Executivo defendeu o medicamento, que não tem eficácia comprovada, durante culto evangélico em Anápolis (GO). “A vacina tem comprovação científica ou está em estado experimental ainda? Está [em estado] experimental”, completou.
- 17 junho de 2021 – “Quem pegou o vírus está imunizado” – 496.004 mortes. Em live no seu perfil nas redes sociais, Bolsonaro disse que já se considerava imunizado por ter contraído a covid-19. “Todos que contraíram o vírus estão vacinados, até de forma mais eficaz que a própria vacina, porque você pegou vírus para valer”, completou.
- 24 de julho de 2021 – “Se eu estivesse coordenando a pandemia não teria morrido tanta gente” – 549.448 mortes. “O presidente disse a apoiadores que se tivesse coordenado a gestão da pandemia da covid, com a adoção do tratamento precoce, o número de vítimas seria menor. O tratamento ao qual ele se referia não tem eficácia comprovada cientificamente”, disse.
- 2 de setembro de 2021 – “[Estou] melhor que o pessoal que tomou CoronaVac” – 581.914 mortes. Em transmissão ao vivo em seu perfil nas redes sociais, Bolsonaro voltou a criticar a eficácia da CoronaVac. “Falei que meu IgG está 991. Eu estou muito bem, melhor que o pessoal que tomou CoronaVac. Melhor não”, afirmou.
- 8 de setembro de 2021 – “Covid apenas encurtou a vida delas por alguns dias ou algumas semanas”. 584.421 mortes. O presidente Bolsonaro disse, em entrevista aos alemães Vicky Richter e Markus Haintz, ligados à direita radical, que a covid-19 apenas encurtou “por alguns dias ou algumas semanas” a vida das pessoas que tinham comorbidades.
- 2 de dezembro de 2021 – “Deixa eu morrer, problema é meu” – 615.179 mortes. Em live semanal em seu perfil nas redes sociais, presidente disse que “muita gente de esquerda” desejando a sua morte. “Se quer a minha morte, por que fica querendo exigir que eu tome a vacina?”, completou.
- 7 de dezembro de 2021 – “Quer fechar de novo, porra?”, disse sobre a Anvisa – 616.018 mortes. O presidente Jair Bolsonaro reclamou durante evento organizado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) da sugestão de especialistas da área da saúde para implantar o passaporte vacinal nas fronteiras do país. “Estamos trabalhando agora com a Anvisa, que quer fechar o espaço aéreo. De novo, porra? Ah, a ômicron. Vai ter um montão de vírus pela frente, de variantes talvez”.
- 7 de dezembro de 2021 – “Coleira que querem botar no povo brasileiro”, disse sobre passaporte vacinal – 616.018 mortes. Em evento no Palácio do Planalto, o chefe do Executivo disse que o passaporte da vacina era uma coleira que queriam impor no Brasil. “Cadê nossa liberdade? Prefiro morrer do que perder minha liberdade”, afirmou na ocasião.
- 24 de dezembro de 2021 – “Não tá havendo morte de criança que justifique” – 618.392 mortes. Presidente disse que o número de mortes de crianças por covid-19 não justifica a vacinação emergencial contra covid para essa faixa etária, o que ele chamou de “medida emergencial”. Na ocasião, ele disse que é o “pai que decide em 1º lugar”.
2022
- 6 de janeiro de 2022 – “Qual o interesse da Anvisa por trás disso aí?” – 619.641 mortes. Presidente questionou, durante entrevista à TV Nordeste, o interesse da Anvisa na aprovação de vacinas pediátricas da Pfizer contra a covid-19. “Qual o interesse das pessoas taradas por vacina?”, completou na sequência.
- 22 de janeiro de 2022 – “Lamento profundamente, mas é um número insignificante” – 622.801 mortes. Bolsonaro disse que o número de mortes de crianças por covid é “insignificante” em conversas com jornalistas em Eldorado (SP). “Tem que levar em conta se elas tinham comorbidade também”, disse.
- 12 de setembro de 2022 – Durante período eleitoral, Bolsonaro é entrevistado sobre as frases que usou no auge da pandemia no Brasil e afirmou: “Eu dei uma aloprada, sim. Eu perdi a linha“. O Brasil alcançava a marca de mais de 680.000 mortes.
2023
- 03 de maio de 2023 – Bolsonaro e outras 15 pessoas foram alvos de uma operação da PF, que investiga um suposto esquema de falsificação de cartões de vacina. Bolsonaro tinha “plena ciência” de fraude no cartão de vacina, diz PF.
- 05 de maio de 2023 – OMS decreta fim da “emergência sanitária global” da Covid-19. Anúncio foi feito pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom, e não significa que doença deixou de existir, mas que agora pode ser controlada.


