O momento de resistência já passou. O cenário agora impõem avanços sociais. Esta foi uma das avaliações no Seminário Resistência, realizado pelo Instituto Declatra, nos dias 30 de novembro e 01 de dezembro em Curitiba. O evento reuniu em Curitiba grandes nomes que discutem a crise brasileira.
O professor e jurista Wilson Ramos Filho, o Xixo, que também preside o Instituto Declatra, avalia que os direitos sociais já foram retirados e continuarão a serem suprimidos. Nesta leitura, segundo ele, o momento já não é mais de resistência, mas de avançar.
“A escola pública, a saúde, políticas de mobilidade urbana, de habitação, eram contrapartidas para que os trabalhadores aceitassem viver sob o capitalismo. Após o golpe todas essas contrapartidas foram rejeitadas. Primeiro com o congelamento dos gastos públicos por 20 anos, entendendo que não era mais necessário garantir educação e saúde. Os direitos trabalhados também foram todos retirados, destruindo políticas de reconhecimento e o que havia de arremedo de estado social no Brasil. Agora dizem que não é mais necessário prometer uma velhice assistida”, exemplificou.
De acordo com ele, é preciso avaliar que tipo de discurso está sendo colocado. “Falta a discussão da contradição fundamental. O movimento que possibilitou a construção do estado social partia da contradição fundamental. Vendemos nossa força de trabalho e somos explorados. Do lado de lá estão eles que nos exploram”, completou.

A jornalista Maria Inês Nassif. Foto: Gibran Mendes
A jornalista Maria Inês Nassif avaliou que o poder judiciário no Brasil, em partes, promoveu uma grande insegurança. “Todo dia perdemos uma garantia. Nunca sabemos se formos a julgamento qual decisão virá. Vivemos em um momento de absoluta insegurança jurídica. Nenhum cidadão sabe se vai ser preso sem provas”, comentou.
Contudo, ela não isentou também o Congresso Nacional. “O poder legislativo também virou um fator de instabilidade imenso. Cada poder está se expandindo em detrimento do voto popular para ter os poderes para mudar o pacto social. O Legislativo entra neste processo já com histórico anterior que foi o autofinanciamento de uma bancada conservadora e venal pelo Eduardo Cunha. Ele catalisa dinheiro e escolhe os parlamentares”, recordou.

O diretor jurídico da CUT Nacional, Valeir Ertle. Foto: Gibran Mendes
O diretor jurídico da CUT Brasil, Valeir Erthle, recordou que o Brasil vive uma sequência de golpes que atingem diretamente a classe trabalhadora. “Depois de 1964, com o golpe militar, sofremos outro em 1984 com as ‘Diretas Já’. Vários grandes atos, mobilizações e parlamentares optaram por eleições indiretas no colégio eleitoral. Foi um golpe duro”, lamentou.
Na sequência, a tentativa de golpe com a vitória de Dilma Rousseff. O candidato adversário “tentou de todas as formas anular e reverter as eleições, para depois constituir a retirada da presidenta”, argumentou. “Golpe que contou com o apoio do judiciário, da mídia e organizações empresariais. Sempre falamos que o golpe não era para tirar a Dilma, era contra a classe trabalhadora. Tudo que afirmávamos ficou e vidente. Foi para retirar direitos da classe trabalhadora e da população em geral. Isso que estamos vendo todos os dias. O golpe ainda está em curso”, completou.
O jornalista Marcelo Auer traçou um histórico da atuação da Polícia Federal nos últimos anos. Segundo ele, um dos grandes avanços foi a nomeação de Paulo Lacerda como diretor-geral da PF. “Ele foi um dos responsáveis pela mudança. Fizeram grandes operações começando com Foz do Iguaçu, quando prenderam vários policiais envolvidos com contrabando. Foi um recado para dizer que cortariam na própria carne”, avaliou.

O jornalista Marcelo Auler. Foto: Gibran Mendes
Auer produziu uma série de reportagens sobre a Polícia Federal na década de 90 que lhe renderam vários processos. Ele levantou, manualmente, todos os processos que envolviam agentes públicos da instituição e que trabalhavam no Rio de Janeiro. O material, com 96 nomes, foi enviado para a direção da entidade que, naquele momento, nada vez.
Posteriormente a mesma lista levantada por Auer foi utilizada pelo Ministério Público Federal que encaminhou denúncia ao Procurador Geral da República do governo Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Brindeiro. Nada ocorreu também. “A Polícia Federal que vinha de ditadura, servia de força auxiliar dos militares e era altamente corrupta. O que, devo dizer, você não vê na Polícia Federal hoje nesse sentido”, completou.
Veja mais imagens do seminário na nossa página do Facebook.


