O iDeclatra na Cultura desta terça-feira (22) recebeu o deputado federal Arlindo Chinaglia e a doutora em direito, Letícia Kreuz, para debater a polêmica que envolve o retorno do voto impresso. O tema está em pauta novamente a partir de sucessivas pressões do presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) que, a exemplo do que aconteceu nos Estados Unidos, aponta para uma eventual fraude para justificar uma possível derrota nas eleições de 2022. Eles conversaram com a advogada e diretora do Instituto, Mírian Gonçalves e com a jornalista da Rádio Cultura, Mariane Antunes.
“Nunca encontrei em nenhuma reunião das inúmeras que faço alguém que estivesse preocupado com o voto impresso. As pessoas estão preocupadas com a Covid, com o desemprego, com a segurança pública e com os filhos que não estão indo para a escola por conta da pandemia. Discutir o voto impresso não está nas prioridades, ainda que o objetivo seja a preocupação com a lisura da eleição e com a democracia. Mas quem gera instabilidade no País com relação à democracia? É o Bolsonaro. Quem questiona as eleições? O próprio Bolsonaro”, apontou o deputado federal Arlindo Chinaglia, que compõem a comissão que debate o tema na Câmara Federal.
Segundo ele, há um paradoxo envolvendo a demanda. “É uma questão óbvia, se você questiona o mecanismo do voto eletrônico, que é um software, que também vai comandar um eventual voto impresso, vai confiar na mesma ferramenta?”, questionou. Segundo ele, mesmo os que defendem o retorno à modalidade já superada, não apontam falhas nas últimas eleições. “Todos que vieram na comissão, ninguém apresentou fraude, ninguém”, enfatizou. “Fica difícil entender como seria esse imenso complô que envolve todos os ministros de todos os tempos, dos últimos 25 anos, defendendo a urna eletrônica. Da mesma maneira encontramos uma imensa maioria, dos desembargadores, que compõem os Tribunais Regionais Eleitorais”, completou.
Para a advogada Letícia Kreuz, a importância dada ao tema pelos bolsonaristas não é inédita. “Ele (Bolsonaro) impõem uma cortina de fumaça e repete o que já estamos vendo em outros países. Ele não inova ao dizer que terá fraude na eleição. Outros líderes de extrema direita autoritários fizeram isso. Donald Trump, por exemplo, afirmou que se perdesse seria por conta de fraude. Fujimori que vinha ganhando e foi passada na contagem de votos também”, comparou.
A advogada ainda reforçou que o voto impresso reforça a instabilidade nas eleições. “No caso do Peru, por exemplo, Fujimori foi ultrapassada durante a contagem. O mesmo aconteceu com Trump, que foi à toa, veio ao twitter para pedir o fim da contabilização dos votos. Mas é preciso entender que há diferença dos votos de uma região para outra, inclusive no Brasil. Quando se contam os votos do norte e do nordeste é diferente dos votos do sul e sudeste. Em vez da compreensão de que há diferença na visão de mundos, fala-se em fraudes”, completou.
A diretora do Instituto Declatra, Mírian Gonçalves, também avalia que o voto impresso amplia a possibilidade de fraudes. “Já acompanhei inúmeras eleições por quase 40 anos, inclusive dentro dos espaços sindicais. Posso falar com muita tranquilidade sobre esse tema. O que Bolsonaro está fazendo é uma medida preventiva, uma espécie de habeas corpus, pois eu não tenho dúvida que ele perderá a eleição no ano que vem”, analisou. “Uma vez participei de uma eleição em que uma pessoa era capaz de saber em quem os eleitores votavam pela posição do braço, uma vez que a cédula era grande”, completou ao analisar o perigo do retorno do voto de cabresto.
No programa desta terça-feira (22) você confere também o andamento da comissão na Câmara Federal, os mitos que envolvem o sistema eleitoral, o papel dos observadores internacionais nas eleições, o funcionamento das urnas eletrônicas, a possibilidade ou não de uma tentativa de golpe e muito mais. Confira o programa no vídeo abaixo e não se esqueça: O iDeclatra na Cultura é transmitido todas as terças e quintas-feiras, ao meio-dia, na Rádio Cultura de Curitiba. Você pode acompanhar o programa ao vivo pela AM 930, pelo site, pela Fan Page do Instituto Declatra ou da própria Rádio.
Foto de capa: Abdias Pinheiro/ASCOM/TSE/FotosPúblicas


