“Estamos criando uma bomba relógio humanitária”. O alerta é do especialista em economia e escritor Eduardo Moreira durante o Pensando Bem Ao Vivo, programa mensal de entrevistas do Instituto Defesa da Classe Trabalhadora (iDeclatra) com o advogado e diretor do iDeclatra, Ricardo Mendonça, a partir do Instagram do instituto, sobre as estratégias do capitalismo para baratear o custo do trabalho.
Segundo Moreira, o capital desenvolve táticas, de forma constante, para reduzir seus custos e ampliar o lucro. Uma das formas de fazer isso é baratear o custo da mão de obra. “Como fazer isso? De várias maneiras diferentes. Se impeço que as pessoas possam se aposentar, elas terão que trabalhar até o final da vida. O cidadão que deixaria o mercado até os 65 anos terá que ir até aos 80 anos. Com mais gente no mercado de trabalho, o preço cai. Quando você tira os direitos do trabalhador, com menos capacidade de negociação, esse valor também cai”, analisou.

Ricardo Mendonça e Eduardo Moreira durante o Pensando Bem Ao Vivo
Ainda de acordo com o economista, é preciso a compreensão de que todas as ações do capital tem como objetivo final reduzir o valor do trabalho. “Tudo é feito para reduzir o valor da mão de obra. É importante entender que por trás de uma reforma da previdência, da administrativa, há esse objetivo. Quando o estado que contrata de acordo com a lei, tentando equilibrar diferenças entre gênero, raça, com menos desigualdade, deixa de contratar, vai tudo para a iniciativa privada e o preço cai. Toda reforma tem como objetivo fazer ficar mais barato o preço da mão de obra”, completou.
A chamada uberização do trabalho é mais um destes mecanismos. “O entregador do ifood compra a moto, compra a mochila e fica esperando, tudo sem receber um centavo. Depois ele recebe um chamado do restaurante, se desloca até lá, espera a comida ficar pronta e quando ele pega a entrega é que começa a receber. Quando entregou, o processo começa novamente. Agora imagine um rádio de pilha que quando é desligado a pilha vai, imediatamente, para outro rádio. A pilha vai durar menos. Mas há um prazo de validade para gastarmos nossa energia, nossos músculos, assim como a pilha vai durar menos as pessoas também vão chegar ao seu limite muito antes. O que fizemos com a aposentadoria delas? Jogamos para depois. Estamos fazendo as pessoas terem prazo de validade menor e colocando a aposentadoria mais para frente. Estamos criando uma bomba relógio humanitária”, alertou.
Por outro lado, segundo Moreira, há um esforço contínuo do capital para fazer confundir conceitos e realidades. Ele citou como exemplo a questão da liberdade. “Não conheço Cuba, escuto coisas de um lado e escuto de outros. Mas posso garantir que quem mora em Cuba tem mais liberdade do que quem mora em Rio das Pedras, no Rio de Janeiro. Ele não escolhe o fornecedor de TV a cabo, não escolhe o fornecedor de gás. Não escolhe a hora de sair e nem de chegar em casa. Qual liberdade ele tem? Somos seres que desejam ser livres e o carcereiro, o dono da chave, diz que está defendendo a sua liberdade. O Socialismo deseja que todo mundo viva sua vocação e não que todos sejam iguais”, destacou.
Durante o programa, ambos ainda analisaram as desigualdades no sistema tributário, o futuro do trabalho, as formas de exploração do sistema capitalista, as origens da desigualdade e concentração de renda, além de avançaram no debate sobre a uberização e precarização. O Pensando Bem ao Vivo é transmitido, sempre pelo perfil do Instituto no Instagram, às 18h05, na primeira segunda-feira de cada mês. Clique aqui para seguir o perfil no Instagram do Instituto Declatra, aproveite para ver ou rever o bate-papo. Siga, comente, compartilhe e não perca nenhum conteúdo!


