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Livro investiga como o movimento “Diretas Já” se organizou em todos os estados brasileiros

O movimento “Diretas Já” é o grande marco da queda da ditadura militar (1964-1985) e da abertura política brasileira. Porém, tradicionalmente, essa história é contada quase que exclusivamente a partir dos grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro. Ampliar essa perspectiva é o objetivo do novo livro do cientista político e professor titular da UFPR (Universidade Federal do Paraná), Adriano Cotado.

“O Brasil no Palanque: a geografia política das Diretas Já”, publicado pela FGV Editora em parceria com o iDeclatra (Instituto Defesa da Classe Trabalhadora), foi lançado nesta terça-feira (13), em evento realizado na Casa Jardim, no Largo da Ordem, em Curitiba (PR). Cerca de 80 pessoas compareceram e levaram para casa uma edição da obra, gratuitamente, autografada pelo autor.

De acordo com a presidenta do iDeclatra, Mírian Gonçalves, a obra integra parte da pesquisa voltada à criação do Museu da Democracia, entidade a ser sediada no antigo prédio dos Correios, ao lado da Praça Santos Andrade. “O edifício será adaptado para abrigar exposições sobre o tema com o objetivo de preservar a memória da democracia brasileira”, declarou.

“Curitiba sediou o primeiro megacomício das Diretas, com 50 mil pessoas na Boca Maldita, em janeiro de 1984. Esse acontecimento abriu as portas para os demais comícios de massa brasileiros, como o da Candelária, no Rio de Janeiro, e do Anhangabaú, em São Paulo”,

analisa Codato.

A obra se propõe a investigar como foram organizadas as Diretas Já em todos os estados brasileiros. Para isso, foram consultadas bases de dados como as do então SNI (Serviço Nacional de Informações), órgão da ditadura que servia, na prática, como uma complexa rede de espionagem e vigilância de movimentos considerados potencialmente perigosos para o regime.

A capa do livro é ilustrada com a icônica fotografia de Ivan Bueno, que registrou o comício de Curitiba para o jornal Folha de S.Paulo. Nela, vê-se a Boca Maldita repleta de pessoas, com muitas faixas, papéis picados e expectativa para o comício que reuniria nomes como Ulysses Guimarães, José Richa, Tancredo Neves, Franco Montoro, e outros personagens da abertura democrática.

O advogado Nasser Ahmad Allan, especialista em Direito do Trabalho do GASAM Advocacia, destacou o momento de publicação do livro. “O direito à memória nos coloca a ideia de que preservamos a história para evitar retrocessos. É exatamente o risco que corremos nesse segundo turno das eleições presidenciais”, avaliou.

Para Ricardo Nunes de Mendonça, também do GASAM Advocacia, o cenário eleitoral pede a mobilização de todas as forças com comprometimento democrático. “A todos e todas, eu rogo para que vocês amplifiquem a potência de vocês, aumentem a capacidade de falar, de dialogar, de procurar novos espaços de disputa, para que a gente possa ir além, superando as ameaças à constituição e à democracia”, comentou.

Serviço

A obra “O Brasil no Palanque: a geografia política das Diretas Já”, de Adriano Codato, pode ser baixada no link a seguir, ou lida imediatamente abaixo:

DOWNLOAD DO LIVRO →
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