O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) tem o dia de hoje, 22 de janeiro, como uma marca histórica em sua trajetória: há exatos 40 anos, em Cascavel – PR, posseiros, atingidos por barragens, migrantes, meeiros, pequenos agricultores se reuniram para dar origem ao maior movimento pela reforma agrária do país. No ano anterior, havia ocorrido a primeira ocupação de terra em Encruzilhada Natalino, no estado do RS, que se tornou símbolo da luta de resistência à ditadura militar, de combate à concentração de terras no campo e precursora do modelo de atuação do MST. À época, os militares implantaram um modelo agrário concentrador, excludente e que desvalorizava a agricultura familiar.
Quatro décadas depois, o MST está presente em 25 estados brasileiros, compreendendo em sua estrutura 400 mil famílias assentadas, mais de 70 mil famílias acampadas e ainda cerca de 1.900 associações, 185 cooperativas e 120 agroindústrias atuantes na produção e comercialização de produtos da Reforma Agrária Popular. Há mais de 10 anos, o movimento é o maior produtor de arroz orgânico da América Latina.

Fonte: MST/Leonardo Prado.
Em todo o Brasil, o MST está diretamente associado a 15 cadeias produtivas principais e que envolvem mais de 1700 itens comercializados em feiras, armazéns do campo, supermercados e distribuídos nas escolas públicas, hospitais e nas ações de solidariedade do Movimento. Assim, contribui diretamente para colocar na mesa de cada brasileiro comida saudável e com preço acessível. Outra marca importante do movimento e um de seus princípios é a solidariedade. Desde 2020, o Movimento já doou 9,8 mil toneladas de alimentos e 2,7 milhões de marmitas em todo o país.
Em sua história de conquistas, lutas e resistência, uma data é muito simbólica a de abril de 1996, quando ocorreu o massacre de Eldorado do Carajás, no Pará, onde 21 trabalhadores rurais foram assassinados. O presidente do MST, João Pedro Stédile, lembrou em reportagem especial do Jornal Folha de São Paulo, publicada ontem (21), o momento em que cedeu o seu lugar no avião fretado pelo PT para que o fotógrafo Sebastião Salgado registrasse o episódio: “É mais importante você fotografar a chacina do que eu ir lá como dirigente”, afirmou Stedile ao lembrar suas palavras à época ao fotógrafo. O material resultou no famoso livro “Terra”, de 1997, cujo direito autoral foi cedido por Salgado ao MST. Com os recursos da venda, o movimento comprou um sobrado na região central de São Paulo, local de sua sede nacional.


