/

Opinião: A classe trabalhadora tornou-se um bem de aluguel

Por Mirian Gonçalves e Jane Salvador de Bueno Gizzi*

Em outubro de 2015, o Instituto Ulysses Guimarães, do PMDB, lançou o manifesto “Uma Ponte para o Futuro”. O golpe contra as trabalhadoras e trabalhadores já estava delineado. Não tardou. Primeiro contra a democracia, depois em favor do capital.

Os projetos de reforma trabalhista, em trâmite veloz no Congresso Nacional, objetivam o retrocesso dos direitos da classe trabalhadora ao período anterior à CLT. Nada têm de moderno, em nada auxiliam na geração de novos empregos ou no desenvolvimento do país.

O Projeto de Lei 4.302/98, votado pela Câmara na semana passada, é um exemplo claro disso. Pelo texto aprovado, todos os serviços poderão ser terceirizados, quarteirizados ou, ainda, ser executados por meio de pessoa jurídica, modelo em que o trabalhador é levado a constituir sua própria empresa e, por meio dela, prestar serviços ao tomador. O objetivo é apenas o de usurpar-lhe a sua verdadeira condição de empregado e deixá-lo à margem da proteção legal, retirando-lhe direitos como férias remuneradas, 13.º salário, horas extras e por aí vai. Em resumo, a terceirização torna possível uma empresa existir sem ter empregados próprios!

Em outubro de 2015, o Instituto Ulysses Guimarães, do PMDB, lançou o manifesto “Uma Ponte para o Futuro”. O golpe contra as trabalhadoras e trabalhadores já estava delineado. Não tardou. Primeiro contra a democracia, depois em favor do capital.

Os projetos de reforma trabalhista, em trâmite veloz no Congresso Nacional, objetivam o retrocesso dos direitos da classe trabalhadora ao período anterior à CLT. Nada têm de moderno, em nada auxiliam na geração de novos empregos ou no desenvolvimento do país.

O Projeto de Lei 4.302/98, votado pela Câmara na semana passada, é um exemplo claro disso. Pelo texto aprovado, todos os serviços poderão ser terceirizados, quarteirizados ou, ainda, ser executados por meio de pessoa jurídica, modelo em que o trabalhador é levado a constituir sua própria empresa e, por meio dela, prestar serviços ao tomador. O objetivo é apenas o de usurpar-lhe a sua verdadeira condição de empregado e deixá-lo à margem da proteção legal, retirando-lhe direitos como férias remuneradas, 13.º salário, horas extras e por aí vai. Em resumo, a terceirização torna possível uma empresa existir sem ter empregados próprios!

São tantos os mitos repetidos pela imprensa que se criou um clima de “eles sabem o que fazem”. Na verdade, estão muito longe de fazer o necessário para proteger os milhões de trabalhadores terceirizados ou de promover a efetiva criação de novos empregos. Ignorância ou má-fé?

O resultado realmente verdadeiro das pretensas reformas é o aumento da lucratividade das empresas.

*Mirian Gonçalves, ex-vice-prefeita de Curitiba, é mestre em Direito do Trabalho e sócia-fundadora do Instituto Defesa da Classe Trabalhadora (Declatra). Jane Salvador de Bueno Gizzi, mestre em Direito do Trabalho, é sócia-advogada do Declatra.

Artigo publicado originalmente na edição de segu.nda-feira (27) do jornal Gazeta do Povo

publicado por
COMPARTILHE

Últimas publicações

Jornalista do iDeclatra, Kelen Vanzin Moura da Silva, é aprovada em doutorado pela UFPR com pesquisa sobre a naturalização do autoritarismo no Brasil contemporâneo.

O Instituto Defesa da Classe Trabalhadora (iDeclatra) celebra mais uma importante conquista acadêmica de sua equipe. A jornalista Kelen Vanzin Moura da Silva foi aprovada, nesta terça-feira (21.07), na defesa de sua tese de doutorado em Letras pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Intitulada “Deus, Pátria e Família’: do subterrâneo à naturalização do autoritarismo no Brasil contemporâneo”, a pesquisa analisa o percurso discursivo do lema integralista desde sua origem, na década de 1930, até sua reemergência no cenário político brasileiro contemporâneo. A banca foi composta pelas professoras Gesualda de Lourdes dos Santos Rasia (Letras-UFPR), Ana Zandwais (Letras-UFRGS), Verli Fátima Petri

Instituto Declatra lança documentário com apoio do Ministério das Mulheres
Instituto Declatra lança documentário com apoio do Ministério das Mulheres

O Instituto Declatra lançou o documentário “Elas escreveram o futuro: mulheres e a Constituinte”, no dia 02 de julho, em Curitiba, nas presenças da Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, da presidenta do iDeclatra, Mírian Gonçalves e dos diretores Jane Salvador, Mauro Auache e Ricardo de Mendonça. Com auditório lotado, o público se emocionou ao assistir a depoimentos de mulheres inspiradoras e a cenas marcantes das lutas em busca de igualdade de direitos no Brasil. Assista o documentário clicando aqui Dirigido por Daniel Billio, autor de séries documentais da Netflix e HBO, o documentário compreende entrevistas com (1) Jacqueline Pitanguy, que